Os ânimos estão inflamados. Datas, metas e planejamentos embaraçam nossas lentes, imprimem suas letras no caderno da vida carregados de taquicardia, dor no peito e fadiga física e mental. Ufa!. Esta suada noite de outono é testemunha da imensa alegria, do vislumbre e do desejo de a gente protagonizar o maior sonho, sonho real da felicidade, da história, de nós dois.
Com a delicadeza de uma brisa e a serenidade de uma oração, levanto os braços e agradeço muito a Deus por todas as vírgulas, as pausas e as exclamações em nossas vidas porque a maior bênção é Ele em nossas vidas; eu para ela; e ela para mim.
Enfim, entendendo esta suposta contradição entre o amor e o tempo - "(...) A razão natural de toda esta diferença é porque o tempo tira a novidade às coisas, descobre-lhe os defeitos, enfastia-lhe o gosto, e basta que sejam usadas para não serem as mesmas. (...)" Do Amor e Tempo de Pe. Antônio Vieira - quanto mais o tempo passa, deixando suas inexoráveis impressões, mais apaixonado eu fico por ela, moldada por Deus para a perfeição: Ela tem defeitos; porém, é perfeita para mim.
"Não te amo como se fosses a rosa de sal, topázio
Ou flechas de cravos que propagam o fogo:
Te amo como se amam certas coisas obscuras,
Secretamente, entre a sombra e a alma.
Te amo como a planta que não floresce e leva
Dentro de si, oculta, a luz daquelas flores,
E graças a teu amor vive escuro em meu corpo
O apertado aroma que ascendeu da terra.
Te amo sem saber como, nem quando, nem onde,
Te amo assim diretamente sem problemas nem orgulho:
Assim te amo porque não sei amar de outra maneira,
Senão assim deste modo que não sou nem és,
Tão perto que tua mão sobre o meu peito é minha,
Tão perto que se fecham teus olhos com meu sonho."
Do Livro Cem Sonetos de Amor - Pablo Neruda.
